6. Como ler rótulos e fontes
Esta é a parte mais importante para confiar no que a AtalaIA mostra. A regra do produto é que nenhum número, nome ou afirmação apareça "pelado" — que venha sempre junto de um rótulo (o quão confirmado aquilo está) e de uma fonte (de onde veio, e quando foi conferido). É uma regra de desenho, não uma verificação automática que rode em toda tela hoje: a primeira versão do site (mapa de obras, contagem de órgãos do organograma) já mostra alguns valores sem uma fonte por linha, porque essa checagem geral ainda é previsto.
Os rótulos
- FATO — vem de um documento oficial: um decreto, uma portaria, uma lei, um contrato publicado, ou uma medição real registrada. Todo FATO tem, junto, a fonte exata (o documento, o link, a data em que foi conferido).
- INDÍCIO — um padrão nos dados que merece verificação humana, mas ainda não é uma confirmação. Por exemplo: um preço muito fora da média, ou um aditivo de contrato perto do limite legal. Um indício nunca é apresentado como acusação — a frase correta é sempre algo como "padrão compatível com X, a verificar", nunca "há fraude" ou "há conluio".
- HIPÓTESE — uma inferência do próprio sistema, quando não há dado suficiente para um fato. Por exemplo: quando não existe medição real do andamento de uma obra, o sistema pode, no futuro, estimar o percentual pronto só pelo tempo que já passou do prazo do contrato — isso seria sempre marcado como estimativa, nunca misturado visualmente com um número que seja fato. Esse cálculo específico ainda é previsto, não construído (ver item 5, M10).
- A_CONFERIR — um rótulo específico usado no organograma da prefeitura (módulo M11), para um nome que ainda não tem uma fonte oficial forte o bastante para virar fato. É diferente de "hipótese" porque não é um cálculo do sistema — é simplesmente um dado que ainda precisa de confirmação (por exemplo, um decreto de nomeação que ainda não foi localizado).
Um exemplo real de A_CONFERIR
No organograma de Cascavel, o campo do responsável pela Casa Civil está marcado como A_CONFERIR: a estrutura buscou o nome do titular atual no diário oficial do município, achou o órgão citado várias vezes (como lotação de servidores em portarias), mas não achou nenhum ato assinado por uma pessoa se apresentando como titular da Casa Civil. Em vez de arriscar um nome, o sistema deixa o campo do nome vazio e registra exatamente essa busca (o que foi tentado, o que não foi encontrado) — isso é o rótulo funcionando como deveria: melhor mostrar "ainda não confirmado" do que arriscar um nome errado. Nesta versão, o organograma de Cascavel tem 26 órgãos, e desses 22 estão A_CONFERIR — a maioria.
Um exemplo real de FATO — cada órgão com o que a fonte de fato registra, sem generalizar
Nesta versão, 4 órgãos estão FATO (dos 26 no total). Em todos os 4, o ato usado como prova não é o decreto de nomeação original (esse ato específico não foi localizado para nenhum deles) — mas o tipo exato de ato muda de órgão para órgão, e só a SEPLAG tem o registro de assinatura digital. Nenhum outro dado é generalizado entre eles; cada linha abaixo é só o que o registro daquele órgão específico contém:
- Secretaria de Planejamento e Gestão (SEPLAG): o tipo de confirmação registrado é um ato de resultado de edital de concurso, publicado no Diário Oficial de Cascavel (edição 4520, ato de 06/08/2026); a SEPLAG é o único dos 4 órgãos cujo registro menciona assinatura digital certificada.
- Secretaria de Educação (SEMED): o tipo de confirmação registrado é uma portaria assinada pela própria titular, publicada no Diário Oficial de Cascavel (edição 4536, ato de 31/08/2026) — o registro diz apenas "assinada", sem mencionar assinatura digital.
- Secretaria de Cultura (SECULT): o tipo de confirmação registrado é um edital assinado pela própria titular, publicado no Diário Oficial de Cascavel (edição 4544, ato de 12/09/2026) — o registro também diz apenas "assinado", sem mencionar assinatura digital.
- TRANSITAR (autarquia de trânsito): a fonte guardada é uma única edição do Diário Oficial de Cascavel (edição 4540, publicada em 05/09/2026), com dois documentos: uma convocação para assinatura de termo aditivo, em que o titular aparece com o nome e o cargo; e o extrato de um termo de convalidação firmado em 04/09/2026, em que o nome dele aparece na lista de assinaturas, sem o cargo ao lado. O registro não menciona assinatura digital.
Em todos os 4, o sistema guarda o link e uma "impressão digital" (hash) do documento consultado, para provar que aquele PDF específico foi realmente conferido — isso é sobre o arquivo ter sido conferido por hash, e é diferente de o ato em si ter ou não assinatura digital (só a SEPLAG registra isso).
O sistema guarda a diferença entre "prova que a pessoa exercia o cargo numa certa data" e "prova formal de nomeação" com todas as letras, num campo próprio, para cada um desses 4 órgãos. A regra original do produto pede o decreto ou a portaria de nomeação; aceitar esse outro tipo de prova como suficiente para o rótulo FATO é uma mudança de critério, e essa mudança está registrada nas decisões técnicas do projeto — ela ainda depende de uma validação do dono antes de aparecer numa tela pública sem esse aviso. Nenhum dos 26 órgãos tem hoje o responsável liberado para a tela pública (o campo que libera isso está vazio em todos). Esses números mudam conforme novas buscas acontecem; quem quiser o número mais atual deve consultar a API do organograma, não confiar cegamente numa data antiga deste manual.
Sobre a estimativa (hipótese) que ainda não existe
No mapa de obras (módulo M10), nenhuma fonte pública usada hoje traz uma medição física real do andamento das obras de Cascavel — e, por enquanto, nenhuma tela mostra percentual nenhum de andamento, porque o campo correspondente vem sempre vazio da fonte. Quando esse campo tiver algum valor, o sistema já está preparado para marcá-lo como estimativa; calcular esse valor a partir do tempo decorrido do contrato (quando não houver medição real) é previsto, mas ainda não foi construído.
Como um link deveria ser testado antes de aparecer
A regra do produto é que toda fonte citada só apareça depois de o link ter sido acessado de verdade e o conteúdo conferido contra o que está sendo citado, com a data desse teste registrada, e que um link que cair depois de publicado seja tratado como falha a corrigir. Hoje essa regra vale para como os dados são coletados manualmente (cada FATO do organograma, por exemplo, carrega link, data de acesso e hash do documento) — mas ainda não existe uma verificação automática que rode periodicamente e avise sozinha quando um link publicado parar de funcionar; isso é previsto, não construído.
Regra prática para quem lê o manual ou o site
Se algum dia você vir, em qualquer tela da AtalaIA, um número, nome ou afirmação sem rótulo e sem fonte, isso é um erro do sistema, não uma exceção aceitável — pode e deve ser reportado.